Você sabia que a TV é capaz de re-programar o cérebro?
Quantos televisores há na sua casa? Há um televisor na sala, na cozinha? E no seu quarto tem uma TV?
O que temos visto atualmente são verdadeiras "ilhas pessoais" dentro dos lares. E a tecnologia das telecomunicações tem intensificado esse processo ao absorver a atenção do indivíduo em detrimento de relações pessoais, que já se tornam antiquadas. Entre pólos que resolvem estabelecer uma comunicação, não há mais um canal direto como a voz, o face-a face, o contato tátil e sim meio técnico levando e trazendo mensagens. E a TV é um dos principais responsáveis pela redução das relações familiares, já que obriga ao silêncio e a atenção total. Vários cientistas já alertaram que, passar muitas horas na frente da televisão não é benéfico para crianças. Mas agora, um novo estudo constatou que a televisão também é capaz de afectar a capacidade de atenção de crianças de apenas 1 ano. Descobriu-se que, assistir à televisão antes dos 3 anos de idade aumenta as possibilidades de as crianças desenvolverem problemas de atenção e concentração aos 7 anos de idade, afirma Dimitri Christakis (2004) médio e professor, da Universidade de Washington, em Seattle.
No estudo, especialistas estimam que de 4% a 12% das crianças americanas, sofrem de desordem de déficit de atenção, associada à hiperatividade. O cérebro desenvolve-se rapidamente nos primeiros três anos de vida. É nessa fase que conexões importantes são formadas. Foram recolhidos dados entre 2,5 mil crianças dessa faixa etária, mostrando que, com um ano de idade, elas viam TV por 2,2 horas diárias, e aos 3 passavam para 3,6 horas por dia, em média. Algumas delas passavam mais de 12 horas na frente da TV. A idade é importante porque marca o desenvolvimento contínuo do cérebro, disse o estudo. Christakis também afirmou que a rapidez da mudança de imagens é potencialmente danosa para o cérebro em formação das crianças. "Elas vivenciam eventos acelerados de uma forma surreal, e não é dessa forma que a vida se apresenta".
A mais intensa e grotesca manipulação que a televisão exerce ocorre nas relações familiares. No início, a TV era apenas um aparelho eletrônico, depois passou a ser “membro da família” na maioria dos lares brasileiros. É o lazer de 80% da população brasileira, segundo dados da Folha de S. Paulo. Algo bastante comum é vermos pais trabalharem o dia inteiro e deixarem à televisão como “babá eletrônica” dos seus filhos, esta por sua vez distorce os valores morais, induz a criança prematuramente ao sexo e banaliza a violência. A infância deixou de ser a fase das descobertas e da inocência e tornou-se a era dos games violentos, crianças cada vez mais obesas e estressadas. Aos poucos as relações familiares estão cada dia mais estreitas e os diálogos cada vez mais extintos.Diálogos necessários para a formação do indivíduo que, uma vez “educado” pela televisão, se torna propenso ao uso de drogas, a possuir um comportamento agressivo e a reproduzir a forma educacional que recebeu, transmitindo aos seus filhos a criação terceirizada, que omite a verdadeira responsabilidade que os pais têm de formar indivíduos críticos, responsáveis e atuantes na sociedade.
A televisão tem exercido um grande poder na vida das pessoas, com a popularização deste meio, o acesso às informações por ele fornecidas aumentou significativamente. Com isso, torna-se proporcional o aumento do poder de manipulação da mídia. Este poder tem se evidenciado no comportamento dos indivíduos na sociedade, seja na forma de falar, de se vestir ou até mesmo dos gostos que vão sendo alterados com o decorrer do tempo. No aspecto psicossociológico do público, podemos destacar uma inversão de sentimentos diante da dualidade existente entre realidade-ficção. As pessoas param para acompanhar o último capítulo de uma novela, comovem-se, mostram sua indignação, e, no entanto, a violência real que é mostrada nos noticiários diariamente é tratada com descaso e indiferença.
Como podemos observar, são várias as formas de influência da televisão em nossas vidas. Ela é uma das maiores invenções do homem para a tecnologia comunicacional, e com o barateamento deste aparelho, é difícil imaginar algum lugar aonde ela não chegue. O alcance de suas informações tem se tornado cada vez maior e com isso, as transformações por ela provocadas aparecem com mais evidência.
Concluímos que não há como se isentar da influência exercida pela televisão, pois ela está presente em nossa sociedade sendo um poderoso meio de comunicação que nos transmite informações em tempo real e nos faz conhecer pessoas e lugares que talvez jamais conhecêssemos. Contudo, nossa intenção aqui é alertar as pessoas para não permitirem que este meio altere negativamente o seu modo de viver, a forma de educar seus filhos ou que aliene suas opiniões sobre a realidade. Devemos ser críticos para nos defender da manipulação, mostrando que não somos iguais a "todo mundo", sabendo que o poder de escolha de sermos influenciados ou não está em nossas mãos.
A sociedade em geral tem sido alvo de constantes influências midiáticas que se intensificaram no final do Século XX. Estas induções nos atingem, muitas vezes sem que percebamos e assim somos induzidos a escolher determinados tipos de roupas, ouvir determinados tipos de músicas, dentre outros. Com isto, ao poucos, somos moldados para nos tornarmos seres padronizados que mesmo sem termos conhecimento mantemos uma grande indústria que massifica os bens culturais, a indústria cultural.
A indústria cultural propaga as idéias capitalistas de comercialização e lucro, estabelece uma relação mercantilista entre os bens culturais e a sociedade, padroniza seu consumidor e cria suas necessidades para que ela mesma possa supri-las. Entretanto, o grande poder que esta indústria possui deve-se a um elemento fundamental: a mídia.
A mídia é a grande difusora da indústria cultural, principalmente após o avanço das tecnologias da informação, que aumentaram a acessibilidade dos meios de comunicação. Dentre as variadas formas midiáticas, iremos destacar a Televisão. Esta, por sua vez, está presente na vida das pessoas ditando os gostos, hábitos e comportamentos que a sociedade deve ter. A televisão preenche o vazio social e é utilizada pela maioria das pessoas como uma fuga para as dificuldades do cotidiano. Os problemas do dia-a-dia são maquiados pela diversão televisiva. Calcada em um modelo comercial, estruturada sobre um sistema de grandes redes, a TV aberta brasileira precisa vender para sobreviver e, nessa direção, se especializa.
Dificilmente, vejo holandeses usando camisas do Brasil fora do período de copa do mundo, bem como nunca me surpreendi ao ver um Suíço trajar uma camiseta com dizeres em Espanhol. Isso é porque eles valorizam aquilo que produzem, não que façamos o contrário, mas é porque transformamos a simples apreciação e influência em modelos para as nossas produções (tanto musicais quanto de peças de vestuário), renegamos-nos muito facilmente, tomamos de maneira rápida as formasque nos são passadas, é só ver as páginas pessoais do orkut de alguns jovens nordestinos (por exemplo), que além de escrevem suas informações pessoais em inglês, aparecem em suas fotos usando cachecóis em cidades cuja temperatura mínima é de 30ºC e a máxima é de 38ºC.
Não defendo o fechamento de uma nação em relação á outra, ao contrário, sou a favor do intercâmbio de informações entre os povos, e não apenas a transmissão dos valores de uma determinada cultura que se julgue dominante. Porém, vejo essa difusão como uma violência aos que são expostos, pois somente se tem contato com os valores dos que detém maior poder de influência, assim os ouvintes se tornam “presas fáceis” para a indústria fonográfica desses países, fazendo-os reagir à música estrangeira do mesmo jeito que o público aceita as mensagens veiculadas na teoria hipodérmica, apenas por ter acesso aos estilos musicais do exterior, ditando o gosto do ouvinte por não oferecer-lhe opção.
“A bullet theory (...) afirmava explicitamente na descrição da sociedade de massa: ou seja, a tese de que a iniciativa seja exclusivamente do comunicador, e de que os efeitos se dêem exclusivamente sobre o público” (WOLF: 2005 p.11.)
Também não vejo mal em ouvir música estrangeira, apenas levanto a bandeira de que o conteúdo do exterior não domine integralmente a programação das nossas rádios. A maioria das pessoas não gosta dos artistas locais por não ter a oportunidade de ouvi-los, essa chance de apreciá-los nos é dada pela rede mundial de computadores, onde cada um que se sente sensibilizado com os jovens que aprendem a tocar guitarra somente por verem Jimi Hendrix e não Carlos Santana pode disponibilizar seu acervo particular para download.
Para obter o maior número de acessos, o conteúdo dessas páginas tem de ser disseminado para todo o público, fazendo com que neste seja despertada ao menos a curiosidade sobre o trabalho exposto. Somente depois da audição é que o internauta pode dar seu veredicto, ou seja, o mais difícil não é gostar, mas sim ter o acesso á tais trabalhos, classifico como “válido” qualquer esforço em divulgar artistas como Célia CruzeOmara Portuondo.
Justiça seja feita, em 2004, o público e a crítica aguardavam ansiosamente a entrada da banda ““The Mars Volta””(foto ao lado) no palco “Tim Lab”, esses músicos são conhecidos por suas apresentações calorosas e explosivas, além da forte presença de palco dos seus integrantes. O grupo é encabeçado por Cedric-Bixler Zavala (Vocalista), descendente de Mexicanos, e Omar Rodriguez Lopez (Guitarrista), descendente de Porto-Riquenhos. Mesmo cantando em inglês, o “The Mars Volta” traz uma latinidade bem maior do que a de grupos como Charlie Brown Jr., e menos forçada que a de Ricky Martin. O show foi considerado um dos melhores do festival, assim como o dos Ingleses do extinto The Libertines. O que me fez trazer este exemplo foi a minha crença de que a Internet tem o poder de resolver quase completamente a problemática da construção da identidade na música latina, tendo em vista que os álbuns do Mars Volta são tão esperados pela crítica e público quanto o de qualquer outro artista; só para se ter idéia, o disco mais recente da banda, The Bedlam in Goliath estava disponível para download meses antes do lançamento.
Acredito plenamente que a mesma indústria cultural que empacotou a música latina e suas diferentes vertentes na prateleira de uma loja de discos é a mesma que a divulga para outras partes do globo. Mesmo os teóricos de Frankfurt não gostando, a reprodução da música é necessária (a boa reprodução, é claro), pois a meu ver, esses estudiosos pensam dessa maneira porque não foram as manifestações musicais deles que foram violentadas pelos padrões de consumo. É através da Internet que cada povo se reconhece e deixa de lado os preconceitos e barreiras impostas por outros e passa a apreciar como deve a música produzida dentro de seu país.
A música com a cara latina não deve ter tanto valor comercial, porque ao ver o site das filiais de grandes gravadoras (EMI, por exemplo), vê-se que os artistas nacionais estão ali somente para “ocupar espaço”, pois a intenção verdadeira de uma companhia como esta quando se instala num país como a Colômbia, por exemplo, é a de levar aos habitantes daquela nação os discos dos artistas da sede (Estados Unidos ou Inglaterra) e não a de produzir o trabalho dos artistas locais, fazendo com que seus indivíduos tenham noções básicas sobre a cultura que os cerca, quando deveriam, naturalmente, conhecê-las de forma substancial.
O que há de tão exótico na música latina? Será o charango (na figura abaixo), um instrumento usado na música andina e que é semelhante ao cavaquinho?Seria a antiga música cubana, encabeçada porIbrahim Ferrer (1927-2005), tão diferente da velha guarda do samba, (que na época de carnaval se assemelham á souvenires vivos)?Há de ser lembrada a nossa semelhança com as demais no quesito “valor histórico”, pois nos países em que houve regimes militares o papel de “voz do povo” ficou destinado ao movimento artístico, em especial, os cantores que tinham de fazer malabarismos em suas letras para não verem suas músicas cortadas pelos censores.
Não só o Brasil utilizou estéticas pop para renovar seu cancioneiro, Cuba também utilizou do mesmo método, através do movimento chamado “Nova Trova”. Surgido na mesma época do tropicalismo e por ele influenciado, essa corrente teve com marca inicial a vinda do cineasta Alfredo Guevara para o nosso país, e, ao ver a nossa produção cinematográfica junto as nossas trilhas sonoras, sentiu-se maravilhado; então, Alfredo montou o “Grupo de Experimentação Sonora” (GES), inicialmente compondo trilhas sonoras para filmes e depois realizando trabalhos que faziam jus ao nome dado ao conjunto.
A “Nueva Trova” (como era nacionalmente conhecida) era um movimento que sofria alto controle do governo e foi exportada por Fidel Castro para os países de regime Socialista sob o rótulo de “Música da Revolução”, Seus principais representantes (Silvio Rodriguez e Pablo Milanés (respectivamente,na foto abaixo), que tinham Chico Buarque e Milton Nascimento como ídolos) obedeciam á rígidas regras visuais e morais, entre elas a obrigatoriedade na opção de ser heterossexual e a não participação em nenhum tipo de militância. O movimento viria a ruir no final da década de 70 devido á desobediência dos artistas em relação aos padrões impostos e a forte pressão do governo.
É interessante todo tipo de troca de experiências, a Nova Trova é uma delas, prova que as multinacionais ainda não tiraram o diálogo entre nós, latinos. Esse intercâmbio aconteceu de maneira mais acentuada nas décadas subseqüentes, na qual podemos citar a parceria entre os Titãs e Fito Paez na música “Go Back”.
Mesmo havendo essa interação entre Brasil, Argentina, Uruguai, México e Chile, ela é insuficiente para estreitar os laços dos vários estilos que compõem a pluralidade da música produzida na América Latina, talvez porque esses encontros mais parecem uma reunião de condomínio onde os moradores não se conhecem e, aos poucos, cada um vai expondo sua casa. Outro fator que pode explicar essa aparente aproximação são as questões diplomáticas que envolvem esses países citados. O Brasil tem uma política externa muito mais amigável com as nações mencionadas do que com os outros vizinhos de continente, sendo melhor manter relações com países Africanos do que com o Peru, Bolívia ou Equador.
Esses fatores reforçam a idéia da formação de metrópoles produtoras de conhecimento. Megalópoles europeizadas como Santiago e Buenos Aires, que atribuem a si próprias o poder de classificar as outras cidades fora de um determinado eixo (além destas duas capitais, Montevidéu, São Paulo e Cidade do México) “como subúrbios intelectuais”.
A inferiorização dos povos economicamente menos desenvolvidos e a imposição dos valores das metrópoles para com os habitantes destes países causa os seguintes efeitos nos seus ouvintes:
- Eles ouvem a música nacional de maneira forçada e preconceituosa, como se tivessem que ouvir por obrigação os artistas locais.
- Estabelecem através da apreciação da música internacional uma relação de idolatria, manifestando enorme satisfação ao adquirirem o trabalho de determinado artista, mais do que se comprassem trabalhos da produção nacional.
- Vêem a música produzida no seu país ou continente como sendo pobre, enquanto a música estrangeira é vista como sofisticada.
Caso semelhante ocorre na Europa, onde Inglaterra, França e Alemanha impõem para o resto do continente (e do mundo) as suas visões sobre as manifestações musicais dos outros países.
Uma das tentativas de começarmos a nossa identificação é enxergar que os Norte-Americanos e Europeus não se sentem confortáveis com as nossas formas musicais, o máximo que pode acontecer com a música latina nesses países é a sua transformação em brinquedo cult nas mãos dos seus críticos. Só para ilustrar esta afirmativa, ao contrário do que nós brasileiros pensamos, o tropicalismo não era visto com tanta importância fora dos limites nacionais, sendo considerado, até entre nossos próprios críticos mais puristas e defensores da bossa-nova, como um movimento musicalmente pobre. A sua riqueza, tal como a conhecemos, só foi reconhecida á partir do final da década de 80 quando David Byrne (guitarrista e líder da extinta banda Talking Heads) fundou o selo Luaka Bop Recordse passou a compilar e distribuir trabalhos de músicos brasileiros. Á partir daí, artistas de outras partes do globo passaram a dizer que são fãs dos movimentos musicais do Brasil; Bjork, por exemplo, diz admirar o trabalho de Milton Nascimento. Em suma, o tropicalismo foi moldado por David Byrne e passou de world music exótica para febre cult no segmento musical dos meios de comunicação.
Fato que se assemelha a este aconteceu com a música cubana no final da década de 90, com o documentário “Buena Vista Social Club”, e hoje acontece com o Tango, através de artistas como Gotan Project, que mesclam música eletrônica ao tradicional ritmo argentino.
Essas misturas são boas para os consumidores e melhores ainda para indústria cultural, pois ela consegue passar para os ouvintes apenas a representação das formas tradicionais de música, popularizando de maneira distorcida o próprio tango, a salsa e o samba, por exemplo, e ainda por cima, consegue vender seu produto. Essa falsa democratização é vista com maus olhos por Adorno, com razão, pois aquele que ouve este tipo de música modificado dificilmente sentirá curiosidade em conhecer o ritmo misturado á eletrônica em questão:
“A popularização que desloca a atenção para os temas se desvia do essencial, que é o curso estrutural da música como algo total. Ao destacar o atômico, as fragmentadas melodias isoladas, este, que se apresenta como recurso de difusão, sabota o próprio conteúdo que pretende difundir.” In ADORNO, Theodore W.Apud Revista “Educação e Sociedade” n. 56, ano XVII, dezembro de 1996, pág. 388-411.
Woodstock, 1969, no mesmo espetáculo em que estava Jimi Hendrix havia também um Mexicano chamado Carlos Santana, o festival serviria para alavancar a carreira do guitarrista Latino, que nesse cenário de efervescência musical havia lançado seu disco de estréia, que na capa estampava um leão, a título de curiosidade, ou por coincidência, já que o álbum traz uma verdadeira “salada musical”, permeada por rock,ritmos latinos e africanos. No ano de 1968, Hendrix, já consagrado, lançava Electric Ladyland, que continha em sua capa mulheres nuas, talvez só para tentar chamar a atenção. O conteúdo do disco eram canções vigorosas de rock, somente rock, sem misturas, mas que era tocado de maneira enérgica e peculiar.
O fato é que, esse dois ídolos da guitarra (segundo as revistas Guitar Player e Cover Guitarra), e da música, em geral, estiveram no mesmo espaço, dividiram as mesmas câmeras, expuseram suas músicas para, basicamente, o mesmo público, (jovens hippies de classe média, aventureiros usuários de LSD influenciados pela geração beat leitora de “On The Road”, de Jack Kerouac). Porém, somente Hendrix virou “mito”, de fato, Santana é até hoje considerado um dos melhores guitarristas do mundo, mas só James Marshall Hendrix (nome de batismo de Jimi) é tido como mito.
As contribuições de ambos na história do rock são igualmente relevantes, mas nada se compara a projeção de Jimi Hendrix, que tinha o prestígio de ninguém menos que Eric Clapton e os Beatles, essa discrepância na divulgação das duas carreiras pode estar relacionada ao preconceito da sociedade Norte-Americana em relação aos estrangeiros (em especial, aos que estão do outro lado da barreira).
o fato de trazer realmente novos elementos para a linguagem musical do rock que, na época, era ainda desconhecido, enfrentar a dura realidade da sua terra natal, faz com que a música do jovem (hoje um simpático cinqüentão) Carlos Santana tocar o hino dos Estados Unidos com a boca ou quebrar seu instrumento, como fez Jimi Hendrix, seja algo de menor importância. Para que Santana tivesse sido considerado incontestavelmente um ícone da guitarra (ser ícone é maior que ser ídolo), ele precisaria morrer de overdose no auge de sua carreira, como era a “moda” na época? Ou será que, para ambos terem reconhecimento mundial equiparável, seria necessário Carlos Santana ser Norte-Americano ou seria necessário que Jimi Hendrix fosse Latino?
Esse foi somente um exemplo de como artistas com manifestações musicais igualmente ricas tem espaços díspares no imaginário dos consumidores de música, inclusive os atuais, que deveriam buscar na Internet o acesso as obras de Astor Piazzolla, Hermeto Pascoal, Compay Segundo e Jorge Drexler e tantos outros, ao invés de somente procurarem os álbuns de Madonna, Radiohead e Strokes. Manifestando uma idolatria, por vezes, excessiva e que impõe padrões totalmente distantes da nossa realidade. Prova cabal de como canções que feitas baseadas em condições educacionais, culturais e até climáticas diferentes nos são apresentadas como sendo iguais as nossas. Identificamos-nos com esses valores, enquanto nossos “vizinhos” (geograficamente falando), que partilham de condições mais favoráveis para a construção da nossa identidade musical, figuram como exóticos, claro efeito que a indústria cultural produz,abrindo nossos olhos e ouvidos para a música Norte-Americana e Européia e pondo tampões para que não reconheçamos a música Latina, alterando nossa noção de espaço. Exemplo disso são os jovens roqueiros atuais, que tentam ao máximo parecer com os roqueiros de Londres, Nova York ou Tóquio, talvez porque não foi criada a imagem do Latin Rockstar, muito provavelmente Lasswell os classificaria em seus estudos como meros agentes passivos, tendo em vista o modo com o qual esses jovens agem como massa após ver algo que é dito como tendência na Internet e na MTV junto com a falta de capacidade em avaliar que tal comportamento é nocivo para si próprios.
“A massa é tudo que não avalia a si mesmo, nem no bem - nem no mal - mediante razões especiais, mas que se sente como todo mundo e, no entanto, não se aflige pos isso, ou melhor, sente-se á vontade ao se reconhecer idêntica aos outros” Ortega y Gasset, (1930 Apud WOLF, Mauro, 2005, p.6).
Assim, seria a Internet uma líder de opinião ou seria ela uma mera catalisadora do conteúdo de revistas como New Musical Express, Rolling Stone e Billboard? Até mesmo sites com conteúdo voltado para a música latina, como um todo, começaram na língua inglesa e só depois mudaram para o conteúdo bilíngüe. Um exemplo é o site Voy Music, uma página que começou deste jeito, com o propósito de difundir artistas locais, subdivididos por gênero, lá podemos encontrar de Tango á Bossa-Nova, de Cha Cha Cha á Cumbia. O que me atiça a curiosidade é saber para quem os organizadores do site pretendiam, á princípio, escrever, pois, conforme foi passado nos nossos livros de geografia, nenhum dos países da América Latina fala inglês ou tem como segundo idioma oficial a língua da Rainha Elizabeth, então devemos corrigir nossos livros? Basta ver os outdoors.
É imaginável que os desenvolvedores do site quisessem divulgar o seu conteúdo para o público local, mas é igualmente provável que a mensagem não tenha o seu devido efeito pelo fato de que as notícias em Espanhol pouco interessam a quem fala a Língua Inglesa, mesmo o habitante que fale inglês tendo nascido abaixo da linha do Equador, sendo assim, imagino que foi preferível publicar notícias locais em Inglês para que Norte-Americanos e Britânicos lessem, pois só com o aval destes o público local se atentaria para as manifestações que acontecem bem na sua frente. A máxima de que os artistas, para serem devidamente apreciados por nós, têm que ser valorizados conhecidos primeiramente pelos Norte-Americanos e Europeus parece ainda ser aplicado, o que nos configura como “reféns” das suas tendências musicais.