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terça-feira, 10 de junho de 2008

A Construção da Identidade Musical na América Latina (parte 01)



Woodstock, 1969, no mesmo espetáculo em que estava Jimi Hendrix havia também um Mexicano chamado Carlos Santana, o festival serviria para alavancar a carreira do guitarrista Latino, que nesse cenário de efervescência musical havia lançado seu disco de estréia, que na capa estampava um leão, a título de curiosidade, ou por coincidência, já que o álbum traz uma verdadeira “salada musical”, permeada por rock,ritmos latinos e africanos. No ano de 1968, Hendrix, já consagrado, lançava Electric Ladyland, que continha em sua capa mulheres nuas, talvez só para tentar chamar a atenção. O conteúdo do disco eram canções vigorosas de rock, somente rock, sem misturas, mas que era tocado de maneira enérgica e peculiar.

O fato é que, esse dois ídolos da guitarra (segundo as revistas Guitar Player e Cover Guitarra), e da música, em geral, estiveram no mesmo espaço, dividiram as mesmas câmeras, expuseram suas músicas para, basicamente, o mesmo público, (jovens hippies de classe média, aventureiros usuários de LSD influenciados pela geração beat leitora de “On The Road”, de Jack Kerouac). Porém, somente Hendrix virou “mito”, de fato, Santana é até hoje considerado um dos melhores guitarristas do mundo, mas só James Marshall Hendrix (nome de batismo de Jimi) é tido como mito.

As contribuições de ambos na história do rock são igualmente relevantes, mas nada se compara a projeção de Jimi Hendrix, que tinha o prestígio de ninguém menos que Eric Clapton e os Beatles, essa discrepância na divulgação das duas carreiras pode estar relacionada ao preconceito da sociedade Norte-Americana em relação aos estrangeiros (em especial, aos que estão do outro lado da barreira).

o fato de trazer realmente novos elementos para a linguagem musical do rock que, na época, era ainda desconhecido, enfrentar a dura realidade da sua terra natal, faz com que a música do jovem (hoje um simpático cinqüentão) Carlos Santana tocar o hino dos Estados Unidos com a boca ou quebrar seu instrumento, como fez Jimi Hendrix, seja algo de menor importância. Para que Santana tivesse sido considerado incontestavelmente um ícone da guitarra (ser ícone é maior que ser ídolo), ele precisaria morrer de overdose no auge de sua carreira, como era a “moda” na época? Ou será que, para ambos terem reconhecimento mundial equiparável, seria necessário Carlos Santana ser Norte-Americano ou seria necessário que Jimi Hendrix fosse Latino?

Esse foi somente um exemplo de como artistas com manifestações musicais igualmente ricas tem espaços díspares no imaginário dos consumidores de música, inclusive os atuais, que deveriam buscar na Internet o acesso as obras de Astor Piazzolla, Hermeto Pascoal, Compay Segundo e Jorge Drexler e tantos outros, ao invés de somente procurarem os álbuns de Madonna, Radiohead e Strokes. Manifestando uma idolatria, por vezes, excessiva e que impõe padrões totalmente distantes da nossa realidade. Prova cabal de como canções que feitas baseadas em condições educacionais, culturais e até climáticas diferentes nos são apresentadas como sendo iguais as nossas. Identificamos-nos com esses valores, enquanto nossos “vizinhos” (geograficamente falando), que partilham de condições mais favoráveis para a construção da nossa identidade musical, figuram como exóticos, claro efeito que a indústria cultural produz,abrindo nossos olhos e ouvidos para a música Norte-Americana e Européia e pondo tampões para que não reconheçamos a música Latina, alterando nossa noção de espaço. Exemplo disso são os jovens roqueiros atuais, que tentam ao máximo parecer com os roqueiros de Londres, Nova York ou Tóquio, talvez porque não foi criada a imagem do Latin Rockstar, muito provavelmente Lasswell os classificaria em seus estudos como meros agentes passivos, tendo em vista o modo com o qual esses jovens agem como massa após ver algo que é dito como tendência na Internet e na MTV junto com a falta de capacidade em avaliar que tal comportamento é nocivo para si próprios.

“A massa é tudo que não avalia a si mesmo, nem no bem - nem no mal - mediante razões especiais, mas que se sente como todo mundo e, no entanto, não se aflige pos isso, ou melhor, sente-se á vontade ao se reconhecer idêntica aos outros” Ortega y Gasset, (1930 Apud WOLF, Mauro, 2005, p.6).

Assim, seria a Internet uma líder de opinião ou seria ela uma mera catalisadora do conteúdo de revistas como New Musical Express, Rolling Stone e Billboard? Até mesmo sites com conteúdo voltado para a música latina, como um todo, começaram na língua inglesa e só depois mudaram para o conteúdo bilíngüe. Um exemplo é o site Voy Music , uma página que começou deste jeito, com o propósito de difundir artistas locais, subdivididos por gênero, lá podemos encontrar de Tango á Bossa-Nova, de Cha Cha Cha á Cumbia. O que me atiça a curiosidade é saber para quem os organizadores do site pretendiam, á princípio, escrever, pois, conforme foi passado nos nossos livros de geografia, nenhum dos países da América Latina fala inglês ou tem como segundo idioma oficial a língua da Rainha Elizabeth, então devemos corrigir nossos livros? Basta ver os outdoors.

É imaginável que os desenvolvedores do site quisessem divulgar o seu conteúdo para o público local, mas é igualmente provável que a mensagem não tenha o seu devido efeito pelo fato de que as notícias em Espanhol pouco interessam a quem fala a Língua Inglesa, mesmo o habitante que fale inglês tendo nascido abaixo da linha do Equador, sendo assim, imagino que foi preferível publicar notícias locais em Inglês para que Norte-Americanos e Britânicos lessem, pois só com o aval destes o público local se atentaria para as manifestações que acontecem bem na sua frente. A máxima de que os artistas, para serem devidamente apreciados por nós, têm que ser valorizados conhecidos primeiramente pelos Norte-Americanos e Europeus parece ainda ser aplicado, o que nos configura como “reféns” das suas tendências musicais.

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