Dificilmente, vejo holandeses usando camisas do Brasil fora do período de copa do mundo, bem como nunca me surpreendi ao ver um Suíço trajar uma camiseta com dizeres
Não defendo o fechamento de uma nação em relação á outra, ao contrário, sou a favor do intercâmbio de informações entre os povos, e não apenas a transmissão dos valores de uma determinada cultura que se julgue dominante. Porém, vejo essa difusão como uma violência aos que são expostos, pois somente se tem contato com os valores dos que detém maior poder de influência, assim os ouvintes se tornam “presas fáceis” para a indústria fonográfica desses países, fazendo-os reagir à música estrangeira do mesmo jeito que o público aceita as mensagens veiculadas na teoria hipodérmica, apenas por ter acesso aos estilos musicais do exterior, ditando o gosto do ouvinte por não oferecer-lhe opção.
“A bullet theory (...) afirmava explicitamente na descrição da sociedade de massa: ou seja, a tese de que a iniciativa seja exclusivamente do comunicador, e de que os efeitos se dêem exclusivamente sobre o público” (WOLF: 2005 p.11.)
Também não vejo mal em ouvir música estrangeira, apenas levanto a bandeira de que o conteúdo do exterior não domine integralmente a programação das nossas rádios. A maioria das pessoas não gosta dos artistas locais por não ter a oportunidade de ouvi-los, es
sa chance de apreciá-los nos é dada pela rede mundial de computadores, onde cada um que se sente sensibilizado com os jovens que aprendem a tocar guitarra somente por verem Jimi Hendrix e não Carlos Santana pode disponibilizar seu acervo particular para download.
Para obter o maior número de acessos, o conteúdo dessas páginas tem de ser disseminado para todo o público, fazendo com que neste seja despertada ao menos a curiosidade sobre o trabalho exposto. Somente depois da audição é que o internauta pode dar seu veredicto, ou seja, o mais difícil não é gostar, mas sim ter o acesso á tais trabalhos, classifico como “válido” qualquer esforço em divulgar artistas como Célia Cruz e Omara Portuondo.
Justiça seja feita, em 2004, o público e a crítica aguar
davam ansiosamente a entrada da banda ““The Mars Volta””(foto ao lado) no palco “Tim Lab”, esses músicos são conhecidos por suas apresentações calorosas e explosivas, além da forte presença de palco dos seus integrantes. O grupo é encabeçado por Cedric-Bixler Zavala (Vocalista), descendente de Mexicanos, e Omar Rodriguez Lopez (Guitarrista), descendente de Porto-Riquenhos. Mesmo cantando em inglês, o “The Mars Volta” traz uma latinidade bem maior do que a de grupos como Charlie Brown Jr., e menos forçada que a de Ricky Martin. O show foi considerado um dos melhores do festival, assim como o dos Ingleses do extinto The Libertines. O que me fez trazer este exemplo foi a minha crença de que a Internet tem o poder de resolver quase completamente a problemática da construção da identidade na música latina, tendo em vista que os álbuns do Mars Volta são tão esperados pela crítica e público quanto o de qualquer outro artista; só para se ter idéia, o disco mais recente da banda, The Bedlam in Goliath estava disponível para download meses antes do lançamento.
Acredito plenamente que a mesma indústria cultural que empacotou a música latina e suas diferentes vertentes na prateleira de uma loja de discos é a mesma que a divulga para outras partes do globo. Mesmo os teóricos de Frankfurt não gostando, a reprodução da música é necessária (a boa reprodução, é claro), pois a meu ver, esses estudiosos pensam dessa maneira porque não foram as manifestações musicais deles que foram violentadas pelos padrões de consumo. É através da Internet que cada povo se reconhece e deixa de lado os preconceitos e barreiras impostas por outros e passa a apreciar como deve a música produzida dentro de seu país.
2 comentários:
es sorprendente como los medios de comunicacion emplean varias estrategias para darnos ciertos mensajes y que estos lleguen a nuestro inconciente
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